Educação Integral: O que significa formar a pessoa inteira na prática?
Aprender enquanto cresce. Realizar cálculos matemáticos enquanto você percebe que está perdendo pontos em um jogo. Escrever pronomes enquanto seu amigo diz que não quer mais brincar com você. Aprender sobre adjetivos enquanto a criança começa a se avaliar e a entender suas próprias qualidades.
Na terceira infância (ou pré-adolescência) as crianças começam a estabelecer a sua identidade, ampliar habilidades sociais mais complexas e aprimorar as suas capacidades cognitivas. Somado a isso, muitas delas estão vivenciando uma nova escola, novos amigos e novas regras.
São tantas demandas emocionais e sociais que a escola passa a ter um papel fundamental na mediação dessas demandas, se quiser se certificar que seus alunos de fato aprendem.
Eu até consigo imaginar uma escola que se preocupe apenas em ensinar o conteúdo pedagógico se nela os adultos acreditarem que aprender é apenas adquirir conhecimento. Se for assim, basta ler o texto do material didático, fazer uns exercícios, aplicar a prova e o 10 será garantido. Pronto, está provado o aprendizado do aluno.
Mas eu não penso dessa forma. Para mim, aprender é mudar comportamento. É adquirir conhecimento sim, mas para viver. Para aplicar e ser útil. E aí retomo o primeiro parágrafo deste texto: a criança aprende enquanto está vivendo uma porção de coisas. E elas não podem ser desconsideradas.
É sabido que as crianças:
Aprendem melhor quando estão felizes.
Precisam brincar para ficarem bem.
Se sentem mais tranquilas quando tem contato diário com a natureza.
Aprendem melhor quando se sentem seguras no ambiente escolar.
Precisam de apoio para aprenderem a nomear seus sentimentos.
E é tudo para agora. Nada para amanhã. É brincar, conversar, estudar, aprender, tudo ao mesmo tempo, em grupo, com troca e colaboração.
O resultado disso tudo? Crianças que são verdadeiramente empáticas e inclusivas. Que sabem conversar para resolverem problemas. Que identificam o que as incomoda e conseguem nomear. Crianças que propõe, que criam, que ajudam umas às outras. Que fazem contas de cabeça antes mesmo de aprenderem a colocar no papel. Que vivenciam histórias com começo, meio e fim, ao mesmo tempo em que aprendem a escrever ela toda. Que separam resíduos e observam plantinhas que precisam de vitaminas. E que entendem a importância no sol no desenvolvimento da vida.
Eu tenho certeza: esse é o aprendizado que fica pra toda vida.
Daniela Falcão - DIRETORA ESCOLAR