A inteligência artificial à serviço da educação.
21/10/25
Prezada comunidade escolar,
É com grande entusiasmo que compartilho um relato sobre minha participação na experiência GenIAis - Google for Education, um evento de formação e celebração pelo Dia dos Professores, realizado no dia 20 de outubro de 2025, com carga horária de 8 horas. O objetivo foi explorar as novidades do Google para a educação, especialmente como a Inteligência Artificial (IA) pode potencializar a aprendizagem.
A seguir, listo os tópicos mais importantes e como essas ferramentas, em especial o Gemini, podem se tornar grandes aliadas em nosso ambiente escolar:
Relato da Formação GenIAis - Google for Education
1. O Potencial da Inteligência Artificial (IA) na Educação
Gemini como Assistente de Professores: Uma das grandes revelações foi o Gemini, a IA generativa do Google, que funciona como um poderoso assistente para os educadores. Vimos como ela pode ajudar a aprimorar atividades e estratégias de ensino, economizando tempo e aumentando a qualidade do planejamento.
Comandos Avançados e Personalização: Aprendemos a criar comandos ("prompts") mais eficazes para o Gemini. Por exemplo, em vez de pedir uma ideia simples, podemos dar um Comando Avançado que inclui:
Persona: Definir quem o Gemini deve ser (ex: "professor de geografia com visão ecológica").
Tarefa: O que ele deve fazer (ex: "Criar 3 ideias viáveis para uma estratégia de PBL sobre desperdício de alimentos").
Formato: Como a resposta deve ser (ex: "em tópicos, com título").
Contexto: Informações extras (ex: "Projeto para o 8º ano, a ser realizado no bimestre, em parceria com professores de História e Português").
Isso garante que as ideias geradas sejam personalizadas, relevantes e interdisciplinares, como visto no exemplo de uma estratégia de PBL (Project Based Learning - Aprendizagem Baseada em Projetos) focada em sustentabilidade e questões socioeconômicas.
2. Ferramentas de Criação de Conteúdo e Engajamento
Veo 3: Criando Vídeos com IA (Recurso do Gemini): Foi apresentada uma ferramenta incrível que permite criar vídeos curtos (de até 8 segundos) a partir de textos simples (prompts). Isso abre inúmeras possibilidades para criar materiais didáticos visuais de forma rápida e engajadora para os alunos.
Novidades no Google Workspace for Education: Exploramos as atualizações no pacote de ferramentas que já usamos (Docs, Sheets, Slides, Classroom, etc.) e vimos como a IA está sendo integrada para otimizar o fluxo de trabalho dos professores e a experiência de aprendizado dos alunos.
3. Foco no Aluno e na Diferenciação Pedagógica
Abordagem em Três Frentes (Corus/GEM): Vimos um modelo de solução de IA, como o Corus (Assistente de IA - GEM), focado em três frentes essenciais para o sucesso do aluno:
Análise Inteligente e Diagnóstico: A IA pode analisar notas e atividades para identificar as lacunas de aprendizagem dos alunos.
Agrupamento Colaborativo: Com base no diagnóstico, a IA auxilia na formação de grupos mais eficazes para o trabalho em conjunto.
Roteiros de Estudos Personalizados: O Gemini pode gerar roteiros de estudos individualizados para estudantes que precisam de recomposição de aprendizagem, atendendo às necessidades específicas de cada um (como o exemplo do "Luiz, 15 anos," que tem desafios de convívio social e foco).
4. Pensamento Crítico e Múltiplas Perspectivas na Era da IA
O evento dedicou uma parte fundamental à discussão sobre como educar nossos alunos para a era da Inteligência Artificial de forma crítica e ética.
Combate a Vieses e Estereótipos: Fomos lembrados da citação de Chimamanda Adichie: "A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos."
Aprendemos que a IA deve ser usada para desmontar vieses e garantir que a "narrativa" na sala de aula seja multifacetada, e não uma única história dominante. A IA pode ser uma ferramenta de diversidade, permitindo que os alunos contem suas próprias histórias culturais e sociais, promovendo a multiperspectiva.
Cultivando a Empatia e o Ceticismo: A importância de ensinar os alunos a questionar a fonte da informação gerada pela IA, a buscar diferentes perspectivas e a entender que a IA reflete quem a criou e a usa. Isso é crucial para cultivar a empatia e o pensamento crítico.
Educação Midiática com "HoaxBusters": Foi apresentado o projeto "HoaxBusters", com foco em técnicas de investigação de fatos e educação midiática. O objetivo é capacitar os alunos a identificar notícias falsas e desinformação, usando termos como: FAKE!, Tá sem Fonte!, Foi na Maldade!, Dados Estranhos! e Não Afoba!.
5. Infraestrutura e Desenvolvimento Profissional
Soluções ChromeOS: Conhecemos as soluções completas do Google para o ambiente escolar, que incluem o Dispositivo (Chromebooks), o Sistema Operacional (ChromeOS Flex) e as Licenças de Gestão (Chrome Upgrade), que garantem um gerenciamento de tecnologia robusto e fácil para a escola.
Programa de Liderança Educacional (ELP): Fomos incentivados a participar das comunidades de líderes da Google for Education, o Educational Leadership Program (ELP), que oferece ferramentas e recursos para enfrentar desafios educacionais e promover a colaboração entre os gestores.
Inspiração de Paulo Freire: O dia foi permeado por mensagens inspiradoras, como a de Paulo Freire: "O educador se eterniza em cada ser que educa," reforçando a importância e o impacto duradouro do nosso trabalho.
Conclusão:
A Inteligência Artificial, por meio do Gemini e outras ferramentas, não veio para substituir o professor, mas sim para ser um aliado estratégico que oferece tempo, qualidade e, acima de tudo, a capacidade de personalizar o ensino para atender à diversidade de necessidades dos nossos alunos, ao mesmo tempo em que nos desafia a formar cidadãos mais críticos, éticos e capazes de navegar na complexa realidade digital. Estamos comprometidos em incorporar essas inovações de forma planejada e responsável para enriquecer a jornada de aprendizagem em nossa escola.
Conto com o apoio de toda a comunidade para explorarmos juntos esse novo universo de possibilidades!
Atenciosamente,
Daniela Falcão
Transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental:
entre fios, tramas e o tempo da infância
24 de julho de 2025
Com 6 anos, as crianças serão recebidas no Ensino Fundamental. Aquela chamada “escola de verdade” afinal, acabou a brincadeira, chegou a hora de aprender.
É o que muitos pensam. Mas será mesmo? Será que crescer é tão imediato assim? Será que apenas mudar o nome da etapa basta para mudar o ritmo da infância?
O que se vive, muitas vezes, é um grande faz de conta de que as crianças já cresceram. A escola do Ensino Fundamental costuma operar no tempo do relógio, do cronograma, das disciplinas rígidas. E quem chega ali, ainda com o corpo e o coração pulsando infância, precisa correr para se ajustar.
Nesse esforço de adaptação, ou melhor de adequação, as emoções são silenciadas, as necessidades ignoradas, a curiosidade sufocada, afinal, agora é preciso sentar, calar e escutar.
Mas o desenvolvimento da criança é uma trama delicada, feita de linhas, laços e continuidades. Se essa passagem não for bem cuidada, pode virar uma ruptura: um ponto solto que compromete a rede da aprendizagem e desmembra as etapas do desenvolvimento. A transição precisa ser um prolongamento, não uma quebra. Um bordado contínuo entre o que se foi e o que o será.
Não podemos esquecer os corpos ainda estão em expansão. O brincar ainda é linguagem, o movimento ainda é necessidade. Aprender continua sendo processo e não um produto. Envolve vivência, observação, escuta, sistematização, tudo isso respeitando a singularidade de cada criança.
E nessa travessia, a família também está presente no processo de transição. Pais carregam, nos bolsos da memória, suas próprias histórias escolares, algumas leves, outras pesadas, mas todas cheias de expectativas sobre o que viverão agora com os filhos.
Mas o tempo passou, e com ele vieram novos saberes, novas escutas, novas compreensões.
Diante dos caminhos abertos pela neurociência e pela educação, não há como ensinar como antes. A infância de hoje exige mais presença, mais afeto, mais conexão, menos repetição.
Por isso, o desafio é pensar a criança como um todo: com sua história, sua cultura, seu corpo, suas emoções. É garantir que a escola se prepare para acolher, e não apenas exigir e moldar. Que o currículo dialogue com a infância, e não a silencie.
Que o Ensino Fundamental seja fundamento de um caminho, e não ruptura de um ciclo.
E nós, pais e educadores, estaremos ao lado, caminhando juntos, orientando com presença, oferecendo exemplos, e sobretudo, vivendo o agora. Nos encontros reais, tecidos no tempo da escuta, da troca e do afeto.
Janaina Leal
Inteligência Artificial e Educação
14 de julho de 2025
Entre algoritmos e afetos, de que lado está a educação?
Na última semana, participei de um congresso educacional.
Esses eventos são uma oportunidade valiosa para criar conexões, conhecer demandas e soluções do setor, além de colher informações que nos ajudam a projetar o futuro da educação.
Um dos assuntos mais abordados e discutidos foi a Inteligência Artificial.
A IA chegou para ficar e já transforma até as rotinas mais simples do nosso cotidiano.
Inclusive, parte deste texto que você está lendo contou com o apoio de uma IA. Ela atua como uma assistente, encurtando caminhos, mas sem substituir a essência do que queremos comunicar.
Durante o evento, ouvi futuristas, desenvolvedores e educadores compartilhando suas visões sobre o impacto dessas tecnologias.
Há quem diga que com a evolução da IA, educadores serão obsoletos... há quem tenha medo do que está por vir... parece que teremos um problema complexo pela frente.
Diante de tantas transformações, é fundamental compreender que o papel da escola também precisa evoluir. Apenas transmitir conteúdos já não faz mais sentido.
Nossa visão é que, diante de tantas novas ferramentas, as ciências humanas devem ocupar um lugar central no desenvolvimento das crianças. Relações, convivência, trocas e a forma como utilizamos o que sabemos serão o verdadeiro diferencial da educação do futuro.
E é por isso que saio desse evento fortalecida por estar em uma escola que prioriza a conexão e valoriza o tempo de qualidade com as crianças.
No evento, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel compartilhou seu estudo sobre o cérebro humano. Ela buscou responder se o ser humano é apenas o mais sortudo dos animais por ter desenvolvido a inteligência. Sua conclusão é que nossas características biológicas nos proporcionam mais tempo de vida, e com mais tempo livre, conseguimos desenvolver nossa inteligência. Para quem se interessar em compreender mais sobre o desenvolvimento humano, sugiro que busque mais informações sobre essa pesquisa.
E olha que contradição: vivemos em um sistema que tenta tirar das crianças justamente o que mais favorece o desenvolvimento da inteligência, o tempo livre.
Isso me fez lembrar de uma frase:
"Problemas modernos, soluções ancestrais."
Para muitas crianças, principalmente em grandes centros urbanos, a escola é o único lugar onde ocorre o encontro com seus pares. Só em conjunto elas podem trocar ideias, negociar, argumentar, se frustrar e aprender tudo aquilo que nenhuma IA oferece.
A escola deve ser um espaço para o desenvolvimento do pensamento complexo, da reflexão, da curiosidade e do questionamento. Trabalhar com projetos, resolver problemas reais e vivenciar histórias são práticas que ancoram esse modelo de educação que acreditamos: mais humana, mais consciente, mais significativa.
A Inteligência Artificial já está presente na escola para facilitar processos, registrar observações e apoiar o professor, mas o essencial continua sendo a presença de um adulto que se importa, que escuta e que guia.
E nós, adultos, o que estamos fazendo com o tempo que a tecnologia nos ajuda a economizar?
Que tipo de experiências estamos escolhendo viver com as crianças?
Seguimos juntos, aprendendo e transformando a educação, com coragem e compromisso.
Janaina Leal
Convivência escolar
14 de julho de 2025
Convivência é um desafio para todos nós! E é também uma das maiores oportunidades de crescimento.
Estar com outras pessoas exige o constante exercício de equilíbrio entre nossas necessidades individuais e as demandas do coletivo. E se isso já é difícil para nós, adultos, imagine para as crianças, que estão apenas começando a construir as ferramentas necessárias para conviver de forma respeitosa e colaborativa.
Na escola, é justamente nesse convívio diário que as crianças aprendem valores fundamentais para a vida em sociedade: o cuidado com o outro, a empatia, a solidariedade, a colaboração e a comunicação.
Onde há convivência, há conflitos e isso é natural. As crianças respondem aos conflitos com o corpo, com gestos e palavras, muitas vezes sem compreender muito bem o impacto de suas ações. Elas precisam de adultos atentos, educadores e famílias que as apoiem nesse aprendizado de viver em grupo.
Os conflitos fazem parte do processo de desenvolvimento. Quando acompanhados com escuta, paciência e orientação, tornam-se oportunidades valiosas de crescimento.
Educar é um processo contínuo. As crianças aprendem pela repetição, pela vivência e pela observação do que acontece ao seu redor. É natural que haja erros, testes de limites e desafios na convivência, isso faz parte do crescer.
Educar com respeito leva mais tempo, mas é o caminho mais efetivo e transformador. Castigos, punições e exclusões (práticas que muitos de nós vivenciamos na infância) até podem gerar efeitos imediatos, mas geralmente baseados no medo. Já a educação fundamentada no diálogo, na escuta e no vínculo promove aprendizados sólidos, sustentados por confiança e consciência.
Como pais e educadores, somos testemunhas da humanidade que nasce em nossas crianças enquanto crescem e dói vê-las sofrer. O relato de uma injustiça, a marca de uma dor, nos toca profundamente. Mas buscar culpados para suas dores nos impede de compreender o que realmente estão sentindo.
A escritora Lua Barros, de forma provocadora, nos lembra:
“Queremos filhos empáticos, desde que não seja para ele sofrer.
Queremos filhos resilientes, mas só quando ele for adulto, porque quando é criança não dá para sair da zona de conforto.
Queremos filhos corajosos, mas só se for para enfrentar os medos dos outros.
Queremos filhos autônomos, mas vamos esperar eles completarem 10 anos para conseguirem se virar.”
As crianças só aprendem a lidar com os desafios da convivência… convivendo. E nós, como famílias, também estamos em constante aprendizado sobre nosso papel na parentalidade.
O desenvolvimento é um processo. E ele merece ser vivido com presença, paciência e parceria.
Janaína Leal
Indo mais além (aprender fazendo)
14 de julho de 2025
“É experiência aquilo que “nos passa”, ou que nos toca, Ou que nos acontece, e ao nos passar nos forma e nos transforma. Somente o sujeito da experiência está, portanto, aberto à sua própria transformação.” Larrosa
Quantas vezes ouvimos:
“Lição dada é lição aprendida.”
Mas será mesmo?
Uma criança ouve sobre empatia.
Outra vive empatia quando é acolhida por um colega no recreio.
Uma copia a definição de solidariedade do quadro.
Outra sente o que é solidariedade quando compartilha seu lanche com quem esqueceu o próprio.
Uma resolve contas mecanicamente.
Outra descobre a matemática ao dividir brinquedos, organizar uma feira ou medir os ingredientes de uma receita.
A diferença está na alma do aprendizado: a experiência.
Aprender fazendo é descobrir com os próprios olhos.
É errar e tentar de novo.
É se envolver de verdade com o conhecimento — não como algo que se guarda na memória, mas como algo que transforma a maneira de ver o mundo.
Aqui, acreditamos que lição não se entrega pronta.
Ela se constrói no corpo, na curiosidade, no afeto, no movimento.
Porque só se aprende de verdade quando aquilo faz sentido.
Quando toca.
Quando marca.
Quando é vivido.
Ensinar com propósito é mais do que transmitir.
É criar caminhos para que cada criança seja autora da sua própria jornada de descoberta.
Afinal, a lição mais bonita é aquela que, um dia, ela vai ensinar a alguém — não porque decorou, mas porque viveu.
O texto fez sentido aí? Como as vivências das crianças impactam vocês?
Queremos saber como é perceber esse aprendizado no dia a dia de casa.... Contem pra nós!
Um abraço,
Daniela Falcão